Guia completo sobre transporte de materiais biológicos

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O transporte de material biológico é uma demanda comum às empresas de transporte, mas que requer cuidados específicos muito bem definidos. A Anvisa determina as regras de acordo com os diferentes modais, o que deve ser observado com atenção pelos prestadores de serviço. As boas práticas visam preservar o material adequadamente, além de garantir a proteção dos colaboradores envolvidos.

A falta das condições mínimas adequadas pode resultar na perda do material — por conta de fatores externos de preservação inadequada ou até mesmo por manuseio errado. Outro problema é uma possível infecção que os trabalhadores podem contrair no processo. Para evitar essas possibilidades, parâmetros de transporte, controle, manuseio e outros pontos devem estar alinhados e bem estabelecidos.

Neste post você saberá como o deslocamento de materiais biológicos deve ser feito de acordo com as normas da Anvisa. Confira!

Qual a importância dos cuidados no transporte de material biológico?

O transporte de material biológico é uma atividade bastante específica, que transportadoras precisam lidar constantemente. Acontece que nem sempre há um preparo adequado para conduzir as amostras, o que engloba desde o manuseio até a preservação adequada no deslocamento do material.

É de extrema importância que o prestador contratado saiba manter alguns parâmetros mínimos exigidos. Esses materiais são mais sensíveis às variações de temperatura, ao manejo mais agressivo e também à forma como são armazenados e, por conta disso, todo cuidado deve ser garantido.

As precauções exigidas nos esforços especializados são de extrema importância quando uma empresa lida com esse nível de demanda. A seguir, entenda melhor as especificidades sobre o assunto!

Preservação do material

Um dos pontos mais importantes está relacionado à necessidade de preservação adequada do material enquanto ele está em deslocamento. A preocupação se dá, primeiramente, pelo tempo em que ele passará no transporte — o que pode impactar a sua qualidade. Nunca é possível garantir totalmente a mesma condição em que ele se mantém quando está em um laboratório. Isso, em determinado momento, pode ser prejudicial à sua conservação.

O ideal é que seja garantido que o material biológico esteja sempre dentro de parâmetros de temperatura, o que evita uma decomposição que pode gerar sua perda. As amostras são de diferentes tipos e, na maioria dos casos, é necessário garantir a refrigeração mínima, o que também implica no armazenamento em isopores e outros compartimentos.

Há também a necessidade de cuidados extras no transporte de material biológico em si, mas não só no tempo em que as amostras estão em deslocamento. Além da necessidade de proteção contra choques, atritos e movimentos bruscos no modal, o manuseio deve estar sob observação constante. Logo, antes de estar em curso, os colaboradores envolvidos no processo precisam ter cuidado com a condução dos compartimentos.

Prestação de serviço adequado

Outra preocupação importante é em relação a quem realiza o transporte de material biológico. No mercado, muitos prestadores de serviço serão encontrados, mas a questão principal é: quais deles realmente são especialistas nesse tipo de trabalho? São muitos os parâmetros a serem seguidos e, naturalmente, nem toda empresa está capacitada a conseguir cumpri-los com o rigor requerido.

O modal escolhido, no entanto, não necessariamente passa por uma restrição mais impactante, ou seja, essas amostras podem se deslocar de diversos meios. A questão gira em torno do preparo que a empesa tem para garantir os cuidados mais gerais com temperatura, condução sem riscos de choques, manuseio adequado e também o tempo de deslocamento desse material.

Quanto mais experiente essa empresa for nessa demanda específica, maior será a segurança para entregar a ela a responsabilidade de transportar material biológico. Nem sempre essa busca será fácil e, diante das exigências, é fundamental que o laboratório que solicita o serviço faça um acompanhamento inicial dos processos. Esse cuidado é essencial para garantir a preservação das amostras!

Quais são as normas da Anvisa?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fiscaliza e regulamenta o manuseio de materiais como medicamentos, além das amostras biológicas no Brasil. Rigorosamente, toda atividade relacionada a esses produtos e amostras passa pelas autorizações da instituição, que tem importante papel na maneira como essas práticas são realizadas. Por ser um órgão federal vinculado ao Ministério da Saúde, ele tem poder de regulamentação — e é a partir daí que as transportadoras precisam ter atenção às normas estabelecidas.

O transporte de material biológico está submetido, assim como outras atividades, ao controle de vigilância sanitária, uma das atuações principais da Anvisa. Esse trabalho tem a proposta de manter o controle da preservação dos materiais de amostra, assim como também preza pela proteção de quem trabalha com eles. Por conta disso, regras são estabelecidas com rigor a fim de evitar qualquer infecção.

A Anvisa também trabalha na fiscalização dedicada aos diferentes modais de transporte no Brasil, já que, dessa maneira, garante práticas ideais, independentemente da escolha de envio das amostras. Diante disso, há também a observação do cumprimento dos regulamentos sanitários obrigatórios no Mercosul e mundialmente.

Transporte terrestre

O modal terrestre é o mais requisitado no Brasil, com 58% das demandas passando pelas estradas e rodovias do país. Todo esse potencial se mostra importante para o transporte de material biológico, que deve ser praticado com o rigor exigido pela Anvisa. Vale ressaltar que ele que também conta com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e suas determinações para as boas práticas.

Quanto às regulamentações que devem ser observadas no transporte terrestre, é importante ficar atento à:

  • resolução 420 de 2004, da ANTT;
  • resolução 3.655 de 2011, da ANTT;
  • resolução 3.762 de 2012, da ANTT;
  • exigências e regulamentações cadastrais da Anvisa.

No transporte em si, é importante observar os parâmetros de armazenamento, que deve ser feito com embalagens rígidas e o condicionamento climático adequado.

Transporte aéreo

Outra ótima opção de transporte é por meios aéreos, já que esses são os mais rápidos, seja no território nacional, seja em entregas internacionais. Ainda que o custo seja mais alto, naturalmente, o modal aéreo é aquele que melhor garante o cumprimento de requisitos de conservação do material.

A regulamentação, além dos padrões tradicionais de regras da Anvisa, precisam respeitar também as determinações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entre as recomendações nacionais e internacionais, é importante se manter atento às seguintes regulamentações e acordos:

Transporte aquaviário

Outra possibilidade em se tratando de modais nacionais são os transportes aquaviários, que têm uma demanda crescente em todo país por conta da característica litorânea do Brasil. Assim, é possível aproveitar a infraestrutura de portos e da malha hidroviária para fazer o transporte de materiais.

Portanto, é recomendado que essa atividade seja apenas para destinos internos, uma vez que o transporte aquaviário é o menos ágil entre todos. Ainda que seja possível enviar para todo mundo, esse tempo em curso exige uma conservação ainda mais rigorosa das amostras — o que nem sempre é possível.

Quanto às regulamentações, a Anvisa fiscaliza junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). É importante ficar atento a resoluções e instruções como:

Regulamentos sanitários

A Anvisa, por meio do RDC nº 20 de 2014, define os regulamentos sanitários para transporte de material biológico humano, com regras bem definidas em relação à classificação, vedação, proteção e outros parâmetros que devem ser aplicados às amostras. A proposta é estabelecer regras claras e normas que devem ser obrigatoriamente cumpridas, protegendo todos os envolvidos no processo, assim como o próprio material em questão.

A RDC traz detalhadamente quais são as orientações para:

  • embalagem e acondicionamento;
  • rotulagem;
  • responsabilidades de transportador, receptor e envolvidos no manuseio.

Quais procedimentos é preciso seguir?

O transporte de material biológico deve seguir rigorosamente alguns parâmetros de biossegurança, que garantem que ninguém seja infectado no processo ou que as amostras não sejam desqualificadas. Todo esse processo de necessidades fundamentais é composto por etapas que vão do embalamento do material até a chegada dele no receptor. Quando tudo é feito da maneira recomendada, as chances de proteção aumentam consideravelmente, o que é fundamental.

Todo prestador de serviço que trabalha com essa categoria de transporte deve ter essas práticas como um verdadeiro manual de instruções para conduzir cada uma de suas demandas. Até mesmo em casos de incidentes, seguir a regulamentação garante que ninguém seja infectado e que o problema esteja devidamente contornado. A seguir, entenda melhor quais são esses procedimentos e quais cuidados compõem cada etapa essencial!

Classificação de substâncias infecciosas

A classificação é crucial para que todos os envolvidos no processo e transporte de material biológico saibam quais os níveis de risco de infecção envolvidos. Essas rotulações ajudam os trabalhadores a estabelecer métodos mais rigorosos de cuidados de acordo com o nível de perigo.

Diante disso, a ONU definiu um sistema único de classificação que é usado mundialmente. Esse método abrange todos os modais de transporte, com definições específicas para cada um deles. Naturalmente, essas diferenciações impactam a maneira como as amostras biológicas são classificadas antes de entrarem em transportação. As classificações são nove no total, sempre considerando o seu potencial infeccioso.

A ideia é manter essas amostras bem conservadas dentro das possibilidades relacionadas ao modal escolhido, mas, também, no processo de embalagem e de manuseio geral e até à utilização. Os envolvidos nesse fluxo de trabalho precisam ter treinamento e certificação específicos, o que é uma obrigação regulamentada pela Anvisa e pela ONU.

Há duas categorias de tipos de materiais biológicos e essas classificações ajudam a definir os níveis de riscos envolvidos caso haja infecção. São elas:

  • categoria A: a exposição às amostras pode causar morte, doença fatal e incapacidade em humanos e animais saudáveis;
  • categoria B: são infecciosas, mas não cumprem requisitos da categoria A, como morte e incapacidade permanente.

Embalagem das amostras

Parte essencial dos cuidados, o acondicionamento e o embalamento são de extrema importância no que diz respeito à preservação do material biológico. Ao seguir os parâmetros, há a garantia de que as amostras não serão perdidas, não sofrerão nenhuma interferência interna e também não entrarão em contato com o ambiente ou com os trabalhadores envolvidos.

O processo de empacotamento precisa ser feito diante de regras definidas corretamente — que estão devidamente relatadas no IATA PI 602 e PI 650. A padronização da IATA, inclusive, preza pela proposta de tripla embalagem, uma padronização internacional que garante a segurança do conteúdo das amostras. O transporte, dessa forma, é seguro e, principalmente, garantido pela OMS.

Quanto às três embalagens utilizadas nesse empacotamento, a composição de cada uma é:

  • primária: rótulo do recipiente, resistência reforçada, fechamento rosqueável e à prova de vazamento;
  • secundária: local em que o recipiente primário será alocado, também com a necessidade de ser à prova de vazamento. Esse compartimento não pode ter espaços vazios, o que poderia gerar atrito com o recipiente primário. Sendo assim, é importante preencher com material adequado que absorva impactos;
  • terciária: último compartimento e totalmente externo, ele vai abrigar os dois primeiros. É importante que seja rígido e resistente, capaz de suportar os impactos sem transmiti-los para as outras fases de proteção.

Abertura das embalagens pelo destinatário

O transporte de material biológico também deve abranger cuidados na etapa em que as amostras não estão mais em curso, ou seja, que já chegaram ao destinatário. É fundamental que haja orientações básicas sobre os riscos de abertura dessas embalagens a quem receber o produto. Na maioria das vezes, não são esses profissionais que farão o manuseio, por isso, nem sempre eles entendem a complexidade da situação.

Quanto aos técnicos de laboratório, os cuidados básicos precisam ser executados de acordo com os parâmetros básicos, que incluem práticas como:

  • uso de equipamento de proteção individual (EPI);
  • não manusear recipientes quebrados ou com vazamentos;
  • abrir as amostras sobre bandejas;
  • utilizar desinfetantes para material biológico;
  • abrir as embalagens dentro de uma cabine de segurança adequada.

Proteção diante de incidentes

É sempre importante considerar a possibilidade de acidentes durante o transporte de material biológico, por mais que um processo rigoroso seja implementado. Nesses casos, é preciso ser ágil e utilizar parâmetros de segurança a fim de evitar contaminação ou até mesmo a perda das amostras.

Em casos de materiais infectantes, qualquer vazamento precisa resultar na interdição da área em que foi detectado o problema. Após isso, um levantamento mais detalhado deve ser feito sobre as informações desse material — o que permitirá o entendimento do procedimento que deve ser adotado logo em seguida.

O uso de material absorvente ajuda a recolher os vestígios em um primeiro momento. Após a absorção ocorrer por completo, é importante começar rapidamente a limpeza, sempre considerando os padrões de proteção e sendo feita por profissionais preparados para lidar com esse tipo de situação. Vidros e estilhaços devem ser removidos com o uso de ferramentas que não exponham mãos a cortes, por exemplo.

O uso de soluções descontaminantes também é fundamental logo após todo o produto vazado ser removido. Isso garante que o agente biológico que possa causar a contaminação seja totalmente removido do ambiente, o que reduz totalmente o risco. Quem esteve exposto ao material na hora do acidente também precisa ser encaminhado urgentemente a um médico para mais avaliações.

Quais são as boas práticas para o transporte de material biológico?

Algumas boas práticas são muito importantes para que o transporte de material biológico seja realizado dentro dos parâmetros que facilitam todos os envolvidos e que protegem as amostras. Exercer esses hábitos é importante para que as empresas transportadoras tenham um controle total sobre a atividade e ainda consigam manter todo o procedimento dentro de um ciclo de proteção.

A seguir, veja quais práticas devem ser conservadas no longo prazo e como elas impactam positivamente a rotina de transportadoras que precisam lidar com essas demandas!

Identifique adequadamente a amostra

As amostras devem ser devidamente identificadas — o que precisa abranger a classificação de risco e se elas são da categoria A ou B. Essa é uma garantia primária de que o manuseio será feito com todo cuidado necessário e, além disso, dá ao trabalhador a consciência acerca do que ele lida naquele momento.

É importante ter certeza ao fazer essa identificação, o que evita até mesmo erros nas análises do laboratório. Nesse procedimento, quanto mais informações, melhor. Isso ajudará na descrição detalhada do material, deixando claro quais são os riscos envolvidos no manuseio. Aqui, um profissional de laboratório deve supervisionar ou até mesmo preencher essas etiquetas.

Use os materiais apropriados

O primeiro ponto que precisa de atenção é a embalagem. Como você já viu neste conteúdo, é importante fazer o embalamento triplo, mas também é necessário ter atenção aos compartimentos. Há o risco de eles já estarem contaminados, o que pode ser um problema para a integridade da amostra. Nesse cenário, o laboratório também pode ser prejudicado no momento da análise do conteúdo.

Os instrumentos de manuseio também precisam passar por uma inspeção prévia, que também deve conter a devida esterilização e limpeza. Vale ressaltar que há parâmetros importantes de utilização de ferramentas para a análise de material biológico, e esses devem estar devidamente em uso.

Relate adequadamente a variação cronobiológica

Amostras têm sempre um tempo máximo de validade, ou seja, depois daquele período elas perdem os seus compostos e princípios ativos. Por isso é fundamental ter a dinâmica exata no transporte, a fim de que o material chegue a tempo no laboratório de destino. Todo esse período se chama “variação cronobiológica”, isto é, as mudanças que o material pode sofrer no tempo de deslocamento.

A transportadora precisa estar atenta a esse tempo, garantindo que os padrões sejam respeitados. Dependendo da distância, é importante se adequar a algumas necessidades de conservação mais rigorosas desses materiais. A climatização é um dos pontos principais, e os detalhes de instruções devem ser coletadas junto ao laboratório de origem.

Entenda a qualificação laboratorial

O cumprimento de necessidades de preservação no transporte de material biológico também depende dos laboratórios envolvidos no processo. É fundamental que ambos tenham as certificações pedidas para o manuseio das amostras, o que os autoriza a realizar as devidas análises. Afinal, os padrões devem ser seguidos, e o que garante isso é justamente a certificação.

O processo é chamado de “acreditação laboratorial” e consiste na busca do laboratório por esse selo de qualidade. Para as transportadoras, trabalhar com estabelecimentos que tenham essa certificação é a garantia de que todas as exigências sejam cumpridas — ou seja, o material entra em transporte dentro das condições necessárias. Logo, a certificação é uma proteção a todas as partes envolvidas!

Como escolher a transportadora ideal para esse processo?

Ao longo deste conteúdo você entendeu mais sobre como o transporte de material biológico é uma demanda que envolve muitos cuidados. Diversos padrões de armazenamento, manuseio e transporte são exigidos a fim de garantir a integridade das amostras. A questão é que nem todas as empresas transportadoras estão prontas para atender a tantos requisitos específicos e detalhados.

Diante disso, a busca merece ir na direção de um prestador de serviço especializado, que tenha domínio completo dos procedimentos relacionados ao transporte de materiais biológicos. A boa notícia é que há boas transportadoras capazes de fazer isso no mercado — a tarefa é justamente encontrá-las!

Cheque as certificações

Primeiramente, uma empresa de transportes que deseja trabalhar com materiais biológicos precisa ser certificada pela Anvisa. Somente a agência é capacitada a avaliar as práticas e os padrões realizados por essas companhias, seja no armazenamento de medicamentos e amostras, seja em processos de manuseio e deslocamento.

Por conta disso, antes de fechar um contrato de serviço é importante entender se o prestador em questão é realmente qualificado para esse trabalho mais específico. Exija as certificações adequadas e, se todas forem cumpridas, essa é a garantia de que não haverá riscos maiores com o transporte do volume desejado.

Pesquise a opinião de mercado

Quem está em busca de um prestador de serviço deve estar atento ao seu histórico exercendo a atividade. Nesse caso, a avaliação de quem já utilizou o transporte é fundamental para guiar a decisão por qual empresa escolher. Outros contratantes que já foram ou são clientes podem dar detalhes do procedimento e também de outras questões, como o atendimento.

Mais informações ajudarão a entender se a empresa que se posiciona como qualificada é realmente acessível, se mantém uma comunicação adequada e se executa as práticas exigidas diante dos parâmetros de segurança. Se o sinal for positivo, é possível seguir com a contratação do serviço sem medo.

No Brasil, poucas empresas são realmente capazes de fazer o transporte de material biológico com qualidade e é conduzida por especialistas. Um desses pontos fora da curva é a Atento Express, com vasta experiência no mercado e totalmente capacitada para as demandas aqui citadas!

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